quarta-feira, 20 de maio de 2009

Diagnóstico

"A essência máxima da tristeza é uma ficção mental de que alguém poderia ser feliz num projeto estritamente privado" - ALFRED ADLER- PSICÓLOGO.

Começou assim, uma dor no estômago terrível, sudorese excessiva, depois calafrios, dor intensa na nuca, tremores, taquicardia, falta de ar, tontura, enjôo... pensei: deve ser uma virose. Larguei o trabalho e fui pra casa, mas as dores só aumentavam, e dois dias depois estava bem pior. Na emergência do hospital, enquanto esperava, os sintomas iam ficando cada vez mais fortes, insuportáveis mesmo. Diante da médica, de jaleco e máscara, comecei a relatar meus sintomas e imediatamente ela tirou a máscara, afastou o teclado, empurrou o bloco e a caneta e passou a me ouvir atentamente.

Pensei então: deve ser algo muito sério! Só depois entendi que ela estava me dando o que eu precisava naquele momento: ouvidos e atenção para ouvir. Terminado meu relato nervoso e trêmulo, ela me olhou nos olhos e me deu o diagnóstico: ansiedade generalizada. Acredite, foi um choque tremendo, então argumentei: Mas doutora, todos os sintomas são físicos! E essa taquicardia? É como se me faltasse oxigênio no cérebro por uma fração de segundos... ela pegou minha mão trêmula e descreveu outras sensações que havia esquecido de relatar e completou todo meu quadro confirmando se diagnóstico.

Depressão avançada com surtos de pânico, foi o que me disse o especialista, nesse caso, um psiquiatra, um monstro aliás, nem sequer me olhou, havia nele um ar de enfado que foi pra mim como um soco no estômago, ou seja, eu era mais uma deprimidinha desocupada... foi o que sua reação me dizia.

Só tomei os remédios quando outro especialista confirmou meu quadro e esse me ouviu com toda a atenção e desvelo... um remédio pra depressão, um para pânico e outro para ansiedade. Receitas azuis, remédios de tarja preta, psicoterapia e mesmo assim a doença evoluiu para síndrome do pânico, hoje só saio acompanhada e ainda assim me sentindo muito mal e rezando pra voltar pra casa logo.

Saí do emprego, larguei a faculdade, me afastei de tudo e de todos, não atendia mais ao telefone, não recebia ninguém, só uma profunda tristeza por companhia, nada mais.
[Imagem: Emma Stanley, Dreamer]

Um comentário:

Nadja Teles disse...

Olá Glaudma, é muito complicada essas primeiras relações com o psiquiatra, tive a mesma sensação com o primeiro profissional. E também só omeçei a me medicar depois da terceira tentativa.
Nesses momentos parece que não cremos em nada nem em ninguém, mas Deus, meus amigos e familiares foram a minha grande salvação.
Deus te ilumine. Beijos